O Papel do Exercício Físico no Aumento da Performance/Proteção nas Atividades da Vida Diária

Uma vida ativa preenchida pelas diferentes atividades da vida diária, como andar a pé, ir às compras, subir escadas, fazer jardinagem, atividades domésticas, etc., tem um papel altamente positivo para a saúde.

Todos nós sabemos e também somos bombardeados pelos meios de informação, com base em múltiplos estudos, que o somatório da energia gasta nessas atividades, desde que em quantidade suficiente, tem um efeito tão benéfico para a saúde.

O esforço que estas atividades de vida diária representam é muito importante pelo envolvimento de grandes massas musculares, pela força que requerem, o equilíbrio e coordenação que exigem para a ação. Mas infelizmente, a população portuguesa com o avançar da idade totalmente desacreditado nas suas capacidades, estão a ser, cada vez mais reduzidas estas atividades de vida diária, passando longos períodos do dia sentado e consequentemente, estamos perante um sedentarismo severo.

Portugal está ainda pior do que a média dos países considerados de alto rendimento, com mais de 40% dos adultos aquém dos valores de actividade recomendados para a saúde. Segundo os dados da OMS, 43,4% dos portugueses pratica insuficiente exercício (a média mundial é de 27,5%): as mulheres neste grupo são 48,5%; 37,5% é o valor de inactividade entre os homens.” In Silva, Lorena. Jornal O Público, 05 de setembro de 2018.

É possível observar um aumento exponencial do sedentarismo, relacionado com este crescimento, a obesidade e as suas consequências expressam-se significativamente na saúde, que está diretamente ligado ao estilo da vida moderno. Hoje, as atividades estão cada vez mais reduzidas, por conta da tecnologia que substitui práticas que antes dependiam do nosso esforço e também pelo tempo, que é cada vez mais acelerado e escasso, as refeições precisam de ser mais rápidas e o tempo para as atividades físicas é substituído pela televisão, computador, videojos, cafés, redes sociais, entre outras. Portanto, se o peso corporal aumenta, o atrofiar dos movimentos é acentuado, a falta de autoestima instala-se, talvez seja necessário movimentar-se mais!

Desde o seu aparecimento, o homem já foi condicionado a diversas práticas físicas e sempre foi ativo. Antigamente tudo o levava a exercitar-se com grande frequência, andava muito de um lugar para outro, não tinha a ajuda dos transportes, o trabalho era manual, tudo era fruto do esforço. Com o passar do tempo e principalmente com a Revolução Industrial, a troca do campo pela cidade e o aparecimento de máquinas e transportes, passaram a favorecer a diminuição dessas atividades que estão cada vez mais reduzidas. Mas não quer dizer que temos de descuidar da nossa atividade. Ainda bem que essa tecnologia surgiu, pois a sociedade tinha de evoluir. Nós é que temos de combater a preguiça, não nos deixarmos abater pelo modo inativo. Mas tudo tem a ver com um desacreditar profundo na diminuição de capacidades. Com o avançar da idade deixamos de fazer determinadas tarefas, logo a nossa performance diminui. Isto leva a uma baixa qualidade de vida

A qualidade de vida é muito maior quando se tem o hábito de praticar exercícios, pois aumenta a disposição, a facilidade para certas coisas, melhora o sono, a alimentação, o humor, o aspecto da pele, ajuda na superação de limites, na vida sexual, entre outros milhares de benefícios.

Claro que isto não é novidade para ninguém, mas passar para acção, as vezes é necessário um valente empurrão!

Uns por questões laborais, outros para preencherem as horas do dia, as atividades da vida diária são repetitivas e após algum tempo, podem causar alguns desconfortos pela má execução das mesmas.

Utilizar escadas em vez do elevador, tansportar obejtos, brincar com crianças e carregá-las ao colo, fazer jardinagem, conduzir várias horas seguidas, ir as compras, estar várias horas sentado em cadeiras pouco ergonómicas, com ecrãs de computadores pouco adequados à altura e posicionamento da secretária, pessoas que tem de uiltizar objetos que solicitam altamente a motricidade fina (cabeleireiros, esteticistas, enfermeiros, manicure/pedicure, dentistas, etc), passar muitas horas em pé… enfim, poderia estar a referir inúmeras tarefas que ninguém calcula a sobrecarga mecânica que é exercida no nosso corpo, ao longo de horas, dias, meses e anos que passamos pelas mesmas. As vezes as pessoas ficam chocadas quando refiro que as dores não têm de existir. Dizem logo que é impossível. E eu digo é verdade! Se existem, é porque algo não está bem, se algo não está bem, é preciso corrigir. Mas já não aprendo nada, já tenho isto desde sempre. Enquanto houver movimento, vontade de mudar, tudo é possível. Porque passado algum tempo é necessário força muscular para suportar a solicitação excessiva do mesmo. É necessário alongar para que volte a ter a flexibilidade necessária e a fluidez do movimento volte a ser normal e não limitada.  O nosso dia a dia é tudo unilateral, abrimos as portas, saímos do carro, rodamos o corpo, subimos escadas, bancos, e afins sempre da mesma forma e com o membro dominante, isto força sempre o mesmo lado.  Têm de procurar pessoas qualificadas na área do Exercício Saúde para poderem ajudar a corrigir. Com exercícios adequados, progressões e trabalho específicos, é possível recuperar certas capacidades e melhorar exponencialmente também.

Sim, é possível:

  • Diminuir uma dor no joelho porque coloca mal o pé ao subir uma escada ou por correr com o apoio do mesmo menos correto.
  • Diminuir a dor nas cervicais porque alonga e fotalece a sua musculatura.
  • Melhorar a postura, porque fortalece ou alonga os musculos necessários.
  • Diminuir a dor lombar porque fortalece todos os músculos do CORE (ombros, tronco, abdominais, costas, lombar, glúteos), alonga os posteriores coxa e ativa mais os glúteos, porque passa muitas horas na posição se sentado, logo a cadeia posterior está atrofiada.
  • Melhoro os meus níveis metabólicos porque faço um programa cardiovascular/ muscular controlado e orientado.
  • Posso fazer a minha higiene pessoal (entrar na banheira sem desequilibrio, cortar as unhas dos pés, vestir a roupa interior sem apoiar-me, etc) uma vez que tenho força, flexibilidade, cordenação para o fazer.
  • Posso brincar com os mais pequenos, correr para o autocarro, subir um laço de escadas sem parecer que fiz umz corrida de 100m e estou a morrer.
  • Recuperar de um AVC ou de um infarto do miocardio e voltar a vida normal.
  • Perto dos 70 anos ou mais, ainda corro, faço flexões de braços, elevações, levanto cargas pesadas, guardo a lenha para a lareira….
  • Melhorar o padrão de marcha pois a musculatura está forte e flexível, logo menos sobrecarga para o coração e articulações.

Mais uma vez, poderia escrever tantos benefícios de uma prática de exercícios regular e adequada, porque de facto existem, e é benéfico. Mas sem a vontade do indivíduo em melhorar e acreditar que realmente pode acontecer, nada é possível. E até na entre ajuda das equipas multidisciplinares da área da saúde. Nós não fazemos nada sozinhos, tem de a ver ajuda de cada profissional no seu tempo adequado. Temos de parar de cortar as esperanças às pessoas, que não há hipóteses de mudar nada. Desde que haja vida, há esperança. Se há esperança, há vontade de acreditar. Se há vontade de acreditar, há vontade de fazer acontecer! Não se fiquem pela velha máxima de mexer um pouco é suficiente. Não!!!  A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda pelo menos 150 minutos de atividade por semana, sendo metade (75 min) dos mesmos, em atividades intensas. Seria estrondosamente benéfico, se esta prática fosse em exercício físico orientado por um profissional da Saúde e Prescrição do Exercício, sim EXISTEM!!! Só assim, a vossa performance nas atividades da vida diária é aumentada. Logo a qualidade de vida torna-se superior. “Os benefícios da actividade física estão há muito comprovados e “incluem menores riscos de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e cancro da mama e do cólon, entre outros”. Ao mesmo tempo, conhecem-se bem os “efeitos positivos na saúde mental, como o adiar dos sinais de demência e a contribuição para manter um peso saudável”. In Silva, Lorena. Jornal O Público, 05 de setembro de 2018

 

Francys da Graça Pereira

Licenciada em Educação Física – Saúde e Prescrição do Exercício

Personal Trainer e Instrutora de Aulas de Grupo@IFL Health Club

 

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